História

História

O nome Coucieiro vem do latim Cautum – Couto, terra do Clero ou Nobreza.
Coucieiro teve povoamento pré-romano (sec IV a C), existiu aqui em Castro (lugar fortificado pré-romano ou romano que era um povoado permanente ou refúgio das populações).
De instituição pré-nacional, esta freguesia aparece abundantemente documentada a partir da segunda metade do século XII. Em 1078, refere-se-lhe uma doação efectuada pelo seu abade Argemundo à Sé de Braga.
Nos começos da Nacionalidade pertenceu à Ordem dos Templários (ordem militar e religiosa) da qual passou, mais tarde, para a de Cristo (que serviu nas conquistas e descobertas e teve como administrador o Infante D. Henrique).
Posteriormente foi reitoria da apresentação da Mitra (tinha um pároco nomeado pelo Arcebispo de Braga).
Administrativamente fez parte do antigo concelho de Pico de Regalados até à sua extinção em 24/10/1855, data em que transitou para o de Vila Verde.
Coucieiro é notável não só pelas suas pitorescas lendas e tradições heráldicas mas, sobretudo, pela sua igreja matriz de avantajadas proporções e sólida construção.
São notáveis nesta freguesia as casas nobres e senhoriais da Torre do Paço, dos antigos donatários de Regalados (antes da família Abreus) e o Paço de Linhares, que foi morada de D. Gonçalo de Barros, comendador de Rendufe (1543).

 

Lenda de D. Sapo

Conta a lenda que há muitos, muitos anos viveu em Coucieiro um fidalgo dominador das duas terras e daqueles que as trabalhavam. Representava o Rei.
Estando tão longe o Rei, o tal fidalgo (D. Sapo) um dia mandou anunciar que queria dormir com todas as noivas que fossem do seu domínio, após os respectivos casamentos. Caso a noiva se recusasse a dormir com ele apanhava uma multa que durante a vida toda não conseguia pagar, era uma multa muito pesada.
Certo dia, um alfaiate encantou-se por uma dessas noivas. Quando foi avisado da ordem de D. Sapo, pensou numa maneira de a evitar: apresentar-se ao fidalgo (disfarçado de noiva) e liquidá-lo.
Se bem o pensou, melhor o fez e com a sua arma, a tesoura, matou o D. Sapo.
Temendo a sua morte, foi ao encontro do Rei para confessar o seu crime.
Ao chegar ao Rei, o alfaiate disse:
– Venho pedir a V. Majestade que me absolva, pois lá para a região de Regalados, matei um sapo.
O Rei pensou e olhando para tão humilde confissão, disse:
– Se mataste um sapo é mais um, menos um.
O alfaiate ganhou coragem e continuou:
– Esse sapo era o Fidalgo lá da nossa terra, que talvez abusando dos privilégios, queria dormir com a minha noiva…
O Rei possivelmente não gostou, mas como já lhe tinha dito que não fazia mal, disse:
– Estás perdoado, pois palavra de Rei não volta a trás.